quinta-feira, dezembro 24, 2009

hoje lembrei de quem eu sou, lembrei do que eu acredito, que eu sou sonhador e que eu não desisto, que eu não posso porque tem muita gente na sul que acredita, que se espelha, que torce, e não importa o que eu estiver fazendo porque se eu tô lá é porque é de coração e se eu acreditar mesmo eu vou lutar, vou até o fim, por mim, pela família, pelos parceiros, pela nação, e eu sei que eu posso tudo porque eu tenho o amor dentro de mim, eu tenho a teimosia de alguém que não cansa, senhor do próprio destino, senhor da vida, invencível, guerreiro de fé, acreditando que um mundo melhor é possível e agindo todos os dias pra que ele aconteça, com um "bom dia" ou com uma verdade, uma informação, e é com ela que eu vou lutar, ela é minha espada, é com ela que eu vou fazer do mundo um lugar melhor dia após dia, trazendo luz onde há escuridão, trazendo esperança onde houver desespero, por isso eu olho para as minhas cicatrizes e vejo que esse moleque fodido não tá aqui à toa, tá pra escrever a história única de uma vida que não vai acabar quando meu sangue secar, porque eu só vou morrer quando não tiver mais esperança no mundo porque eu sou a própria esperança.

terça-feira, outubro 13, 2009

Brand new clothes - Parte III

Acordei amarrado numa parede igual aquele desenho do Da Vinci, as pernas eram as mais juntas mas os braços eram os pra cima. Tava grogue ainda, numa ressaca que tiraria até o Bukowski do sério, eu tava rodo ralado, da queda na escada ou da noite da qual eu quase não lembro nada. O maluco tinha tirado as minhas roupas e eu tava limpo, peladão e limpo, com cheiro de álcool e com as feridas ardendo e querendo me coçar mas eu já disse, eu tava amarrado porra! O cara aparece sei lá de onde trazendo um quadradão branco arrastado por umas rodinhas, o cara é todo estranhão, só olha pro chão e não fala nada, eu quis dar uma de sensato e fiquei quieto esperando ele começar a falar, na esperança de que ele começasse antes de me meter uma facada ou coisa assim. Ele olha pro quadradão e volta pro breu, depois volta de volta com uma mesinha de rodinhas, tipo aqueles bares de rodinhas mas com um monte de tesouras e facas e um serrot

– Caralho mano!! Eu só caí dentro da sua loja, você é o Haniball Caralho!?!? – Não agüentei e berrei e o cara só me olhava com o serrote na mão. Ele olha pro serrote, uma pra mim, olha pro serrote

– Eu quero um cigarro antes pelo menos, tem como?

Ele olha pra mim e lança:

– Um e oitenta né? – Com a maior calma.

– Pode ser mano, Marlboro, umeoitenta, qualquer um, ou então me solta logo daqui.

– Se você não colaborar vamos demorar o dia todo pra fazer seu terno.

– Que terno mano, só quero ir pra casa valeu!

– Eu já perdi muito tempo com você, agora vou ter que terminar o terno.

– Firmeza cara, já to entendendo – Eu não tava entendendo. – Agora me explica uma coisa, não quero um paletó de madeira, então pra que esse serrote?

– Você é muito agitado, vou precisar fazer um manequim pra você.

– Legal cara, muito profissa, mas será que não dá pra usar um daqueles zoiudos lá de cima não?

– Cada pessoa tem um corpo único, não posso usar um modelo qualquer, ou você quer ficar com a alma de outra pessoa? – Falou ainda sem expressar o mínimo nada de nada.

– Não mano, ta bom, já ente...

– Um e oitenta?

– Eu? Oitenta e dois.

– Perfeito.

Ai ele pega o serrote e começa a dichavar o blocão branco que é de cera, resina ou sei lá o que. Ele quase se diverte cortando a parada e olhando pra mim, está todo concentrado, eu só consigo pensar em como esse cara é doidão, parece que ele não pensa em mais nada, só em fazer uns panos, o cara parece um boneco, parece que nunca viu ninguém, pelo jeito que ele me olha parece que nunca viu mesmo. Nessas o cara pega um facão e continua lascando o blocão e começa a deixar ele com formato de gente, nisso uma lasca do bonecão cai no braço do cara e ele tem a genial idéia de tirar com o facão e se corta nas costas da mão, o corte é fundo e sangra pra caralho, o cara nem reage, como de costume, só pega um pano e cobre a mão, ele olha pro bonecão, depois de um pouco ele cai sentado no chão .

– Puta mano! Que vacilo! Você ta bem? – Perguntei pensando "agora fudeu".

– Vacilo – Ele diz olhando pra mão.

– Não é melhor ir num hospital ver isso cara? Depois a gente continua? – Não custava tentar né.

– Vacilo... – Ele repetia atônito olhando pra mão.

– É mano, vacilo, acontece, eu fiz um corte desses não faz muito tempo, essas coisas inflamam, é melhor você ir prum hospital!

– Vacilo... hospital...

– É cara, vamo ai! – Eu já tava esquecendo a compaixão e ficando irritado com o cara, mas ele parecia mesmo não saber o que fazer.

– É sangue? Eu nunca sangrei. – Falou ele com a mesma cara de tacho de sempre.

– É mano, é sangue mesmo, e bastante. Você ta bem?

E ele sai andando e volta pro escuro. Nisso eu já não to entendendo mais nada, o cara sai e me deixa ali plantado, amarrado, eu tava fodido ali, e se o cara não voltasse, e se ele desmaia ou morre e me deixa ali pra morrer também, minhas mãos estavam ficando roxas por causa das cordas apesar de eu estar razoavelmente confortável ali, comecei a pensar se esse cara tinha saúde o suficiente pra se cortar daquele jeito, já que ele era tão branco quanto o bonecão de cera. Eu estava confuso, tava ficando com dó daquele corno que me amarrou pra me fazer um terno, eu tinha que pensar em algo, mas não coseguia ver nada que eu pudesse alcançar, as ferramentas estava muito longe, estava quente e eu estava tão bem amarrado que não me soltaria antes de morrer de fome, quando comecei a pensar em ficar desesperado o cara volta co outro carrinho de instrumentos. Ele tira o pano de cima do braço e o sangramento já estancou, ele vem na minha direção e olha minha mão que tem uma cicatriz de facão nas costas, de um vacilo que eu dei uns tempos atrás, ele observa por alguns instantes e se senta num banco que ele pega do meio da escuridão. Então ele olha pra nova mesinha e pega e uma agulha grande e curva, já com linha, quando eu penso “ele não vai...” ele já foi, o cara começa a costurar a própria mão.

– Mano, você ta louco! Você tem que ir pra um hospital! Eu te levo!

– Se for pra costurar eu costuro, isso é tudo o que eu sei fazer. – Ele responde sem fazer um mínima expressão de dor e começa, manda ver mesmo, costura o talho todo sem nem uma caretinha. Agora eu to ficando realmente com medo desse cara.

quinta-feira, junho 25, 2009

Discotecar (ou 29 e um dia)

Discotecar.:


Isso tudo é uma grande tolice, todas as vezes – Diria satisfeito o tio Carlos.



Não acordou exatamente diferente. Não acordou com um humor especial, tinha pressa, só isso. Abriu as cortinas enormes que comprou uns dias antes, brancas e transparentes, quase um véu. Tomou banho pensando em mil coisas, que deveriam acontecer naquele dia, mais ou menos como sempre. Outras exatamente como sempre. No metrô leu o último do Nooteboom, se coçando por dentro, mal notando o mundo lotado e barulhento em volta. Encontra um conhecido e já solta “notou alguma coisa diferente em mim?”, ele engole seco e procura com os olhos um em cada direção, até ameaça esticar o braço para sentir a diferença mas logo desiste. Abre a boca mesmo sem nada dentro ainda e ela o interrompe com um riso largo e satisfeito “tô brincando, eu não faria uma perguntar dessas a essa hora” e sai mandando beijo e rindo da cara dele.


O dia passa voando, a noite entra, o telefone dá uma trégua sem antes marcar uma balada com as amigas de sempre. Volta pra casa, banho, música, comida rápida, algumas providências, uma olhada no relógio, uma no espelho e tchau.


Quase meia noite e nada se transformou ainda, ouve Killers meio bored até que ouve uma voz familiar num intervalo riscado do disco. Era com ela, ri de nervoso, de ansiedade, de um monte de cócegas estranhas vindas dos olhos dos outros mas também da barriga. Pega na bolsa um Ipod, arregala o olho pra amiga como quem diz “tu podia ter me avisado”, as pessoas de pé na pista quase reclamam, se não fosse hoje reclamariam, ela olha o computador, as pickups e manda ver, não sabe se precisa soltar a mão do Klimt pra pegar a do Pollock, deixar p Chash pelo Interpol ou o Kerouak pelo Rubens Paiva, ou pelo Kundera, o Smiths, o Deftones, o Depeche Mode pelo Radiohead, pelo cara do blog vermelho ou pela Spalding tocando Hancock, ela passeia livre tocando as mãos de até ali e vendo a dança continuar e as referências tendo filhos ou morrendo, vendo as chances e areias correndo ao largo duma avenida alegre e agora mais leve, a cada riff, a cada refrão, contralto, solo solta um pesar, um medo, uma insegurança, um pesar que vira suor na testa dos outros, da sua. Olha pro relógio e já é hora de descer, “How soon is now” pergunta e sai com um riso largo e satisfeito.




O que deveria ser discotecar? Veja aqui, fale aqui



P.s.: isso não é uma referência a ninguém, não é inspirado em ninguém e não tem nada de pessoal com ninguém.

Em vão

Não sei mais o que aprender, ou se acredito, ou se gosto, recebo e gozo. Essa Buenos Aires negra e úmida, fria, que tenho dentro do meu peito, recheada de cicatrizes amareladas às vésperas de um nove de julho, daqui. As palavras normalmente jogadas e desajeitadas, não cuspidas, mas incautas mesmo assim, a essas horas me voltam como pedras fatais às quais o arremesso se torna arrependimento antes mesmo de desgrudar completamente da mão.

O Klimt, gosto do Klimt, deve ser alguma coincidência muito boa, ele não é assim um Chico dos pincéis? É quente, é poético.

Você sabe porque eu estou assim hoje? Para relembrar os velhos tempos... eu ouviria isso às taquicardias, certamente com um sorriso idiota na cara, ouvindo o Piazzolla ao som de litros de mate e cognac nesse frio isopor de São Paulo. Tô todo desconjuntado hoje, da cabeça.

É tão estranho aqui dentro, eu só queria ter certeza de que não tem outro jeito, eu assumo que tenho feito quase tudo errado, mas estou só procurando o caminho certo. “Mas o caminho certo é o seu” algo me dirá, “meu coração é pequeno pra você, querida” algo me dirá, “é realmente doloroso saber, que isso soe tão cafona pra você” algo me dirá, “eu não consigo evitar” algo me dirá, "tenho sorte de te conhecer" algo me dirá, "não tente correr porquê eu sou uma espécie de louco" algo me dirá, e eu não saberei o que responder.

Ouvindo: Ludovic - Album "Servil"

Sessão diário, como a muito tempo não o faço.

Hoje chegou meu DVD duplo "Antes do Amanhecer" "Antes do pôr-do-Sol", fiquei surpreso já que a encomenda já tinha sido dada como morta. Boa surpresa... para as férias. Ótimos filmes, baixem... isso mesmo, baixem, pirateiem, sou a favor do acesso irrestrito, se o grande mercado não se adaptar os artistas acabarão dando seu jeito e a troca se dará localmente, no mundo todo, já que o mundo é cada vez mais "local". Vide uma conversa de fila de self-service de uns dias atrás, "aquela menina que disse que dormiu fazendo a tatuagem, ou ela é drogada ou mentirosa", e com a colher de PVT a resposta "é mentirosa, eu ví num blog." Muito a prima-da-vizinha-do-Jorge-Henrique-da-academia, muito vila.

Acho que hoje não termino mais o trabalho da Brasa. O último e então férias. Esses semestres estão cada vez mais desiguais, greve, tumulto, sorte que logo voltarei a contar o tempo em anos... espero que isso seja uma vantagem, mas à primeira vista não parece assim uma boa idéia #produtividade #procastinação

agora é assim que se escreve né, com hashtags ou seja lá como se escreve isso. Achei uma novidade interessante, apesar de não ter me atido a um uso mais aplicado do Twitter, usando todos os apps possíveis e imagináveis, como estou fazendo com meu e-mail, que está ótimo com alguns guériguédes. Está pegando, mas não sei se pega antes de chegar outro, Facebook, Android e IPhone Apps na fila, mas sem palpites antes da hora. N97 corre por fora, a meu ver! (escapou!)

E as colegas sexta na VIP. Um monte de gente fazendo quorum prumonte de gente que não tem nada em comum, é quase um mundo da moda digital. #odiabovesteprada #luxoeriquesa #reallife #odeteroitman #Arevoltada #inveja

É, não acho que esteja viciado.

Minha casa está com os dias contados, talvez qualquer minha casa. Tudo bem que eu passei pouco mais de dois meses só em casa desde... novembro, até por isso tá valendo pouco a pena manter um lar, comida da mamãe pode ser bom por um tempo, ainda mais se for perto do Vila Lobos... As festas foram várias e boas, isso vai dar saudade... as noites aqui escrevendo, quando realmente escrevi, também ficarão na memória... quem sabe não rola uma reviravolta até o fim do ano. #esporte #voltaracorrer #parardefumar #vidasaudavel #life #lealdadesempre #coronária #saudade #banheirão #festaemcasa #juliafilme #esperança #bagunça

Preciso de umas ultimas festas pra aceitar melhor a idéia.

terça-feira, junho 09, 2009

Brand new clothes - Parte II

Duas vodkas depois e ela chegou, parecia bem disposta, bem cuidada, usava um vestido florido e uma sandália, sem maquiagem como de costume. Chegou meio pulando, se grudou no meu pescoço e me beijou o rosto, parecia uma menina.

– Acho que não preciso perguntar se você está bem né?

– Não precisa mesmo queridão, estou ótima!

– O que que houve, ta apaixonada?

– Essa é a notícia velha, a nova é que eu me casei! – Disse ela com o mesmo sorrisão na cara.

– Que beleza hein Jessy! – Falei sem nem pensar, ainda meio em choque. – Mas como foi isso? Quando foi isso?

E ela contou sobre o marido incrível que ela arrumou, um cara um pouco mais velho, trabalha com aviação mas ela não soube bem explicar no que, estavam casados a três semanas e ele tinha viajado a negócios, primeira viagem. Ela estava realmente radiante, falava das coisas que eles faziam juntos como rapel e aula de tango, tudo ótimo. Eu fiquei feliz por ela, de verdade, gosto de saber que ainda tem caras legais por aí e não só os cafas como eu. Ela perguntou como as coisas iam pra mim, falei do lance do bicha da fábrica de roupas e tudo mais, falei meio não querendo falar, me senti meio nada ali, ela cheia das novidades e eu afundado na lama, parecia que tudo que eu fizesse seria meio besta perto daquele conto de fadas que ela estava vivendo. Antes de começar a ficar amargo encerrei a conversa, ela não entendeu muito o que estava acontecendo mas também não se abalou por isso. Nos despedimos, fui embora.

No caminho pra casa fiquei pensando no tempo perdido, nas coisas perdidas, nas paradas que eu já aprontei por ai, a Jessica era uma gata bacana, merecia alguma coisa bem boa depois do que aconteceu entre a gente, mesmo que ela sempre diga que foi tudo legal e que eu não devia me preocupar tanto. Eu não devia me preocupar tanto...

Voltei pela Ibirapuera e toquei o interfone da Jessica.

– Gata! Tem como eu fazer uma ligação aí?

– Claro Jota, sobre aí.

Tá aí um negócio engraçado sobre as mulheres, a gente nunca sabe bem o que elas querem dizer, por mais descritivas e didáticas e detalhistas que elas sejam é impossível saber o que elas realmente querem.

– É rapidinho gata, mas é internacional, outra hora te pago!

– Relaxa Jota, eu sei que não paga! Hahaha! O telefone fica ali.

(...)

– Tá chorando porque gata?

– Não me chama de gata seu filho da puta! – Grunhia enquanto me batia

– Ok, mas porque isso agora?

– Você disse que só queria telefonar seu merda! – Disse ainda me socando!

– É, eu sei, mas vai dizer que não foi bom?

– Você quer mais alguma coisa de mim? Se quer fala logo e some daqui! Não quero te ver nunca mais na minha vida! – Esbravejava Jessica nua na cama, se derretendo em lágrimas.

– Calma Jessy, ele nunca vai saber.

– O problema não é ele saber, eu sei! Eu sei! Eu sei o que você me fez fazer!

– Posso tomar um banho, é que eu to sem água em casa.

– Some da minha frente agora!!!! – E jogou um sapato na porta.

Me restava sumir, fui para o elevador fechando a camisa, como nos velhos tempos. “Espero que eles não conheçam o marido dela” pensei ao ver o casal que estava no elevador. “Prédio bacana esse né?” falei tentando descontrair, mas eles não gostaram muito da minha imagem, acho que foi por conta do cheiro de sexo, do cheiro de sujo ou das roupas meio abertas ainda, não entendi direito aquelas bacanas.

Cheguei na rua e começou a chover de novo, fui caminhando pra casa na chuva pensando no que tinha acontecido agora. Não entendo nenhuma mulher. Uma hora ou outra elas te pedem opiniões, te pedem afeto, te oferecem carinho, uma olhada daquelas que dá até vergonha porque parece que ela ta vendo que no fundo do seu cérebro que você a deseja e sabendo disso ela vai até o fim. É tudo translucido, mas depois aquilo de uma hora pra outra vira pecado, algo de que se ter vergonha, pudor. Vai entender né.

Fui o caminho todo até em casa pensando nisso, em como eu conseguia o que eu queria mas como isso nunca era o que os outros queriam, era estranho ter essas tretas depois do sexo, ou depois de um jantar em família. Na escola diziam que eu tinha uma abordagem muito dura, que eu era muito impulsivo e que não controlava os meus ímpetos. Achei que era baboseira do diretor depois de eu ter jogado uma lâmpada flourescente num gordão que roubou meu lanche, ou talvez isso seja mesmo eu, um cara que não sabe parar... o jeito é continuar.

Cheguei em casa finalmente. A chuva veio a calhar, agora eu podia me lavar com a roupa molhada e ir comprar uma roupa pela manhã. Seria bom ter um terno, os que eu escambei por ai não devem estar mais usáveis, se é que não viraram mistura de padê. Era madrugada já e as moscas não me deixavam dormir, além do mais, a conversa com o Hector no telefone foi bastante animadora agora que ele e o Pedro abriram uma firma e vendem bagulho em latas de milho pros gringos. Era como um milagre aqueles cabrones estarem se profissionalizando, e eu tinha que entrar naquele barco. Ficava pensando no que diria pro bixa, em como faria a parada toda, mas aquele cheiro de merda velha não me deixava pensar direito e eu me taquei num bar pra esperar os ônibus começarem a rodar de novo.

O único bar 24/7 da região era também o pior, o pior pra mim já que era cheio de filhos da puta que eu detestava. Tinha o Toninho da Mineira, um taxista que rodava com uma 22mm no bolso, uma vez venci ele no truco na limpeza e o filho da puta puxou o berro pra mim, não me pagou e fica me olhando torto toda vez que eu chego, detesto hombridade, acho o termo e o procedimento cretinos, ainda mais quando no lugar de bolas o cretino vem montado. O Julio era o imbecil do filho do dono do bar, se achava o tal com aquela toalhinha podre no ombro e quando veio dar de macho pro meu lado foi com uma barra de ferro, tudo por causa de dois copos quebrados em sequencia às sete da manhã, e eu tava pagando direitinho no dia, cuzão.

Arrumei um banco no canto do balcão, na hora tanto fazia o lugar, eu só queria tomar algo gelado logo, pra dar a ignição nas idéias e começar a volta por cima com um plano mais ou menos traçado. Chegou uma cerveja e eu matei o primeiro copo de prima, eu tinha primeiro que tirar aquela inhaca de merda das papilas. Fiz um bochecho e tava novo, fui no banheiro lavar o rosto... acho que aquela imundice de casa estava me deixando com toque, me lavava o rosto a cada oportunidade, como se dependesse daquilo pra viver tanto quanto respirar.

No caminho pro banheiro avistei o Imperador, com uma capa e um louro atrás da orelha, tão típico dele, um cara lírico, que tinha sempre uma meia dúzia em volta esperando por um proclame dele. Genial.

Voltei do banheiro com a camisa aberta, secando o rosto e fui reverenciar o Imperador, antes de chegar à mesa ele me olha com as pupilas do tamanho de olhos e os olhos do tamanho de bochechas, porém aquilo nem soava estranho, ele olha em volta e num lance de sombrancelhas nota que está na minha área e com um sorriso fala satisfeito “e aí vida boa, tava te procurando e não te encontrei... hahahahaa!!!”... era bom encontrar alguém para compartilhar aquela noite ansiosa e desgraçada. Me sentei na companhia de generais, pensadores, lideres, balzaquianas, modernistas e talves alguns Jedi’s, bebi do cálice dourado, traguei a fumaça sagrada, e compartilhei com alguns pensadores o meu plano, a minha jornada rumo a uma exportadora de muamba, ou uma vida muito melhor abastecida, quando notei já estava no Ceasa, seguindo o Imperador da Babilônia e seus súditos em busca do próximo riff, acorde ou distorção, do mais verde, da mais gelada, em busca de qualquer eu satisfeito que se possa ter por ai, com pouca grana e com uma gana de tudo, até acabar muito louco e virado perto do Brás. De repente fui acordado, na estação de trem do Brás, num banco de concreto, pelo vento de um trem chegando, a boca estava seca e os olhos ardiam como se o Sol fosse de limão e sal. Meu estomago estava insatisfeito e sai correndo da estação, não via mais as pessoas em volta, só corria em direção à rua suando o resto de líquido que ainda tinha no corpo e depois de entrar num bar derrubando cadeiras e alguns copos cheios me ajoelhei no confessionário e despejei toda a verdade amarga fétida e sombria que eu tinha nos meus intestinos, e com isso os espíritos vão embora, as vozes desaparecem e eu estou abraçado a um vazo sanitário às sete da manhã, vasculho os bolsos e não encontro os euros que a Sarah tinha me descolado, na verdade não achei porra de dinheiro nenhum. Saí do banheiro do bar de cabeça baixa, tentando fingir que não era notado mesmo com os encontrões e resmungos. Cheguei na rua e vi o Sol surgindo entre os galpões, entre as fábricas do Brás, já perto da Mooca, o céu ficou vermelho por alguns instantes e foi ficando alaranjado bem na minha cara.

Me sentei na soleira de um portão de madeira e fiquei tentando descobrir como eu tinha chegado ali. Achei uma nota fiscal de uma loja de conveniência da Lapa, mas nem de lá eu me lembrava mais. Procurei mais uma vez pelo dinheiro e achei boa parte dentro da meia, mas não era nem a metade, o que explicava o fato de eu não me lembrar de nada e estar com uma ressaca filhadaputa.

A rua estava com uma névoa esquisita, parecia de mentira, meio azul lilás verde abacate seilá. Eu tava colocando a grana na meia e a meia no pé encostado naquela porta quando a filadaputa abriu e eu rolei pra trás loja adentro. Eu fiquei todo desnorteado e quando levantei mal conseguir supor pra onde poderia ter ido o sapato a meia e menos ainda a grana. Tentei ficar de pé ainda meio torto e no que firmei os pés no chão fui atacado por uma caralhada de pombos e um cara com uma vasoura que veio feito uma vaca louca mas que me acertou em cheio no estômago me nocauteando de uma vez por várias. Fiquei com a cara grudada num piso de madeira gosmento e não conseguia mais levantar nem se o próprio JC me convocasse, daí lembrei da grana e expliquei pro meu ressecado cérebro que aquelas coisas finas e compridas que ficavam pra baixo do meu pau tinham que ficar firmes, talvez até firmes o suficiente pra socar o cara que me bateu se ele não quisesse cooperar, expliquei mas ele tava de greve, consegui ficar de joelhos tempo o suficiente só pra ver que aquilo era um pico bizarro, tinham uns manequins com uns olhos enormes pintados e umas estantes altas pra cacete cheias de livros e com umas milhares de gavetinhas de madeira escura, o lugar era comprido e lá no fundo tinha ainda mais fundo até não dar pra ver mais porra nenhuma e a névoa esquisita da rua entrava e a luz da manhã deixava o lugar parecendo a coisa mais velha do mundo com toda aquela madeira escura empoeirada e todos aqueles bonecos com alfinetes por todo lado e pilhas de livros e de panos e de partes de bonecos e toda a sorte de quinquilharia que um filhodumaputa com um braço vindo na minha direção poderia ter quando eu gritei “pára caralho!” e ele parou, baixou o braço, me olhou com uma cara de “o que que você quer aqui caralho?”. Ele falou com tanta calma que nem parecia o maníaco que me atacou com a vasoura um minuto atrás, eu me vi ajoelhado na loja do cara e senti meu cheiro, eu tava todo mijado ainda por cima, além de sujo e bêbado e descalço de um pé “cára, seguinte, meu sapato e a minha meia voaram aqui pra dentro quando eu caí, cadê?”, ele não entendeu porra nenhuma, me olhou de cima abaixo, o cara era magro, com cara de caipira, devia ter uns trinta e vários e pouquíssimos amigos, usava uma camisa bem larga e um colete verde como a calça, era sem dúvida um terno e ele usava uns sapatos daqueles de operário com a ponta bem gorda e pesada. Tá, o cara era chique e tal mas já tava me irritando me olhando daquele jeito sem falar nada, daí eu lancei

–Seguinte mano, você é alfaiate ou coisa parecida?

O cara meu piscou, continuou me olhando com cara de analista de madame, o que tava me infezando pra caralho, pensei “só me resta dar um salve nesse cretino e ir procurar minha grana” quando ele pega e solta um “você quer que eu te faça uma roupa?”

– É isso aí sabichão, mas pra isso eu preciso achar minha grana, você viu ela por aí?

– Se você quer que eu te faça a roupa fica quietinho e vem comigo.

E saiu andando pro fundo da loja, perguntei “e o meu sapato? E a grana?” mas ele nem tchum, continuou andando pro fundo da loja sem dar a mínima pro que eu dizia. Fui atrás dele, já que eu não tinha muita opção àquela hora da manhã. A cada passo que eu dava atrás do cara ai ficando tudo cada vez mais escuro, eu ficava procurando a minha grana pelo chão mas nada, meu sinal de porra nenhuma e quando olhei pra frente o cara tinha sumido e eu pensava “filho da puta, pegou minha grana e agora sumiu na neblina, vô botá fogo nessa porr...” aí à direita do corredor tinha uma portinha que dava prum porão ou sei lá o que, não tinha outro lugar pra onde o cara pudesse ter ido daí fui atrás. O lugar era um breu só e eu ficava me tropeçando o pé calçado no descalço e ia descendo me escorando nas paredes e querendo achar uma lógica pra eu sempre me meter nessas enrascadas escrotas...

Uma noite no bar.



Ouvindo: Roberto Carlos - As curvas da estrada de Santos

quarta-feira, abril 15, 2009

Eu guardo minhas armas no meu quarto e me mato sempre que posso...

“12/06 – 17h30.
Faltam umas poucas horas pra tudo acontecer meu querido diário, 50, 60 horas, acho que não deve passar disso. Acho que não deveria estar aqui, mas não sei mais pra onde ir, e aqui tem sido mesmo meu refúgio desde que saí daquele lugar maldito. Não que aqui seja um lugar muito melhor. Quero ver minha mãe antes de acabar com isso, só preciso vê-la mais uma vez, depois posso até acabar com tudo e acabar com essa espera logo de uma vez.
Não sei se te encontro de novo, obrigado diário, sem você não sei se daria conta de tudo isso.”
Fechou o diário e se sentou na cama virada pro espelho, um espelho comprido e esguio, como Lucila. Levantou-se, olhou para trás e conferiu que a janela se seu quarto estava fechada, se olhou sincera, tristemente sincera e deixou a camisola cair por sobre os braços, se olhou longamente no espelho, procurava em seu corpo a feminilidade que nascia a cada dia, ficou mais triste notando que seus seios de menina continuavam tomando forma e seu quadril alargava, era quase uma mulher para o espelho, era um espectro pra si, pensava que não adiantava mais se se olhar, que aquela que era agora se esvaia, sabia que seu destino estava chegando a um fim, pensava que sua história se apagaria em um ou dois dias e não haveria ninguém pra chorá-la, ninguém desejando nem que vivesse nem que morresse... Talvez já estivesse morta ali, diante do espelho. Viu-se fraca, magra de as costelas arranharem a pele, se olhava e se via longe do espelho, parecia longe daquela nascente de sensações e responsabilidades de mulher quando buscava sua própria imagem mental, a imagem da menina sonhadora e amada que fora, via aquelas bochechas magras e brilhantes como se tivessem escamas e era conciente de que aquela não era ela, era sim o resultado de duras escolhas que fora obrigada a tomar para preservar essa menina intocada como se vê ali, flattened à mulher que estava se tornando.
subitamente vê aquele corpo nu no espelho e resolve que aquela mulher de flanges vermelhas, gastas, dedos grossos, cheiros agridoces e sombrancelha levemente arqueada, pretendendo sarcasmo, decide que ela precisa ter suas memórias também, algumas das boas, e não apenas as chagas da vida sozinha, o gang-bang da uruca. era hora de descolar uma grana e viajar pra valer pelo menos uma vez na vida. Se olhou novamente e a molecota tava toda blured, quase sumindo e a outra, a que tirou a camisola estava pronta para marcar outras partes de seu espírito.
Lembrou de Marcela, a Céu, uma das únicas moças mais jovens da pensão. A pensão era num portão lateral de uma mercearia no Bexiga, entrando nesse portão enferrujado e torto é como se você entrasse em outra dimensão do Stargate Atlantis, logo fica mais escuro, quando você dá o primeiro passo depois de fechar o portão fica quatro graus mais frio, ou mais quente no verão, úmido como um sonho e pestilento como num pesadelo. As luzes ficam mais duras e as cores mais contrastantes, logo o corredor vira uma escada sinuosa e irregular para baixo tendo de um lado as portas dos quartos, dos banheiros coletivos e as escadas de aço que levavam a um dos dois andares acima e do outro lado uma centena de varais coloridos cheios de roupas entrelaçados, confusos, que ficavam na frente de uma parede de chapisco pichadas e mofadas de preto e verde. A oitava porta era a de Lucila e duas portas depois, numa das maiores suítes era o quarto de Céu, uma garota negra pouco mais velha que Lucila, uns 4 anos no máximo, porém notadamente muito mais mulher, em todos os sentidos. Trabalhou em alguns inferninhos logo que chegou, ouvia-se a dona Gerusa revoltada com a idéia de ter uma “piranha profissional” dividindo corredor com ela e seu marido, que não parecia também ser flor que se cheirasse. Céu era bonita e alegre, sempre sorria, mesmo com a família toda de carpinteiros do ultimo quarto olhando pra sua bunda da mercearia enquanto ela se enrola pra abrir o portão com as mãos cheias de compras. Decidiu que queria ter aquela força ainda, pensou no pouco tempo que tinha e decidiu que faria como ela pra entender toda aquela força.

– Oi Céu! – Exclamou sorridente, falsa como uma criança.
– Oi menina Lu... – Pensou – Lucila! Entra aqui menina, ta vento ai! – Puxou Lucila e fechou a porta num movimento que não durou um segundo. Olhou para Lucila de baixo a cima, a menina vestia a mesma camisola de antes. Sorriu. – Fala aí Lu, o que é que há. – Disse com um sorriso interessado...

quinta-feira, março 26, 2009

Sentindo dor.

Você tem os sentidos, olfato, paladar, tato, etc. E você tem também um cérebro, pra processar e trabalhar toda essa gama de sensações recebidas pelos sentidos. No cérebro existem várias partes e vários comandos, em um lugar ficam os cálculos matemáticos, noutro a noção de espaço e equilíbrio, mas não podemos confundir com o equilíbrio emocional, esse fica em outra parte totalmente diferente, junto com todas as emoções e coisas que não controlamos ou entendemos. Nos últimos dias eu venho tendo dores de cabeça terríveis, como se o meu cérebro estivesse inchado e quisesse romper meu crânio e ocupar uma sala inteira. Obviamente esse aumento de tamanho não deve ter nada a ver com um aumento de capacidade de trabalho, apesar de que isso seria muito benvindo. Estou trabalhando em dois lugares muito distintos entre sí, com funções muito diferentes mas com um problema comum, na verdade dois. O primeiro é o ar condicionado, geladíssimo, que me deixa doente só de pensar, aínda mais de passar horas nele. O outro é a natureza mecânica dos trabalhos, e isso sim é um grande incômodo. Tenho idéias o tempo todo, com algum dinheiro para começar e coragem de execução tenho certeza de que já estaria bem rico agora, mas também acho que treinaria a seleção melhor que o Dunga, então não é difícil prever que o meu ego não é muito confiável. Descobri ontem que as dores de cabeça não eram causadas por nada cerebral, nenhuma preocupação maior ou problema insoluvel, é apenas sinusite, uma doença da qual pouco conheço e que até por isso demorei a entender seu funcionamento e suas demandas. Achei que precisava de água, e sim, preciso de muita, apesar as dores aumentarem quando a bebo. Precisava também fazer inalação, de agua com sal se fosse o caso, mas precisava derreter o muco inflamado que está se expandindo dentro do meu crânio.

Não posso dizer que a sinusite me fez rever os conceitos e querer viver uma vida nova. Continuo fumando, bem menos, mas continuo. Não posso largar nenhum dos empregos, mesmo sabendo que a minha saúde não vai lá muito bem um pouco por essa correria diária e dessas mudanças bruscas de temperatura entre escritórios gelados e uma cidade quente como poucas vezes se vê, mesmo no verão.

Ouvi no elevador outro dia um cara falando “você vive pra trabalhar ou trabalha pra viver?”, e é dessas pequenas frases, desses pequenos encontros diários com cretinos estranhos que podemos tirar algumas lições. Detesto pensar em lições, acho realmente cretino pensar que exista uma ou duas formas certas de se viver e que devemos ser sempre confiantes, felizes, esperançosos, que devemos querer cada vez mais e ter cada vez mais para uma vida plena de grana e de diversões eletrônicas diversas. Não acredito que eu seja um cara desses, que vai dar certo na vida. Sou preguiçoso, e por mais que eu saiba que isso me tira várias oportunidades de viver coisas e de experimentar experiencias, não sei, gosto de deitar num gramado e queimar um mato sem ter que me preocupar se eu vou ter grana para jantar. Isso sim tem me incomodado, não ter grana pra comer, ou pra comprar um lampada pro meu quarto e ter que procurar meu chinelo com uma lanterna, mas acho que tudo faz parte de ser meio vagabundo, ter dois sub-empregos, uma faculdade, uma namorada, uma família, alguns amigos e não conseguir me dedicar a nada direito porque eu prefiro ficar deitado num gramado queimando mato. Tenho cada vez menos tempo pra isso, cada vez menos mato e menos gramados livres pra deitar, os trabalhos me consomem o tempo e ocupam as minhas mãos, me deixando longe de produzir algo de que eu realmente me orgulhe, e é esquisito como exatamente o tipo de trabalho do qual as pessoas se orgulham são os que pagam melhor, mas são os mais difíceis de conseguir. Eu queria fazer algo relevante pela sociedade, pelas pessoas que precisam, queria passar uma mensagem que fosse mudar a vida de um menino e fazer ele querer ser um cara melhor. Mas acho que estou preso numa roda, onde eu só dou dinheiro pras grandes corporações fazendo um trabalho de macaquinho, ou jogo alguma terra nos meus próprios sonhos enquanto tiro cópias de uns DVDs para uns caras mais no fim da tarde. Na universidade produzo pouco, por preguiça sim, mas também porque o que eu teria a dizer não é algo que eles queiram ouvir. Às vezes acho que eu não tenho nada a dizer que alguém, que qualquer um queira realmente ouvir, ler, ver. Eu queria acordar um dia e ver que o mundo mudou, que as pessoas tem esperança real de que as coisas serão melhores e que elas trabalhem juntas por esse mundo melhor pra todos, mas já não sei se o mundo seria melhor sem a Unilever, sem lucros, dividendos e subprimes. Acho que o mundo seria melhor se as pessoas não precisassem dormir na rua, mas acho que as pessoas devem ter o direito de escolherem seus caminhos, e os caminhos que escolhemos são tantos e podem nos levar a lugares tão diferentes, e às vezes, num vacilo podemos parar debaixo dum viaduto ou enlouquecermos. Tenho medo de ser esquecido, acordo no domingo e olho pro meu celular procurando por ligações não atendidas, ou alguma mensagem de “vamos pro parque, to passando ai”. Acho que devo acabar louco, não comendo merda mas um louco daqueles que não dá pra conviver, que não consegue conviver com as pessoas. Acho que já estou um pouco nesse caminho, falo cada vez menos, me expresso cada vez menos. Não consigo me lembrar da ultima vez que gritei, ou que xinguei alguém com vontade mesmo. Acho que depois de trabalhar a questão da solidão e criar meu bunker agora estou trabalhando a comunicação, a cognição, estudando uma forma de diminuir a área de troca cognitiva com o mundo externo, resumindo o texto, minimizando a linguagem visual, não olhando nos olhos, comendo por comer, respirando pela boca e olhando para os lados só pra atravessar rua. Não era isso que eu queria quando comecei a escrever, não era isso que eu queria quando comecei o ano ou quando entrei na faculdade ou quando cheguei em Sâo Paulo, acho que estou saindo do prumo, indo prum lugar esquizofrenico sem as dificuldades da convivencia humana, mesmo estando cercado por ela todos os dias, ou de repente só estou escrevendo qualquer coisa aqui só pra fazer hora e não ter que fazer qualquer outra coisa porque a minha cabeça aínda dói, mas pelo menos agora eu sei o porque, é sinusite.